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Comprar ou Alugar? O Mercado Imobiliário Está Mudando de Ciclo?
Existe uma teoria bastante conhecida entre economistas e estudiosos do mercado imobiliário que afirma que os imóveis passam por ciclos relativamente longos, normalmente próximos de 18 anos. Segundo essa visão, popularizada por pesquisadores como Fred Harrison e Phillip Anderson, o mercado costuma atravessar quatro fases: recuperação, expansão, excesso de oferta e desaceleração. Embora esse modelo não seja uma regra absoluta e não consiga prever exatamente quando cada fase acontece, ele serve como uma ferramenta para observar o comportamento do mercado ao longo do tempo.
No Brasil, identificar esses ciclos é mais complexo. Nossa economia conviveu por décadas com inflação elevada, mudanças monetárias, diferentes políticas de crédito e oscilações nas taxas de juros. Por isso, não existe um consenso de que o país repita exatamente o mesmo padrão observado em outros mercados.
Mesmo assim, olhando para a história recente, é possível perceber períodos em que comprar imóveis gerou grande valorização patrimonial. Quem adquiriu imóveis em momentos de baixa confiança, quando poucos tinham coragem de investir, muitas vezes viu seu patrimônio crescer significativamente nos anos seguintes. Isso aconteceu em diversos ciclos econômicos, principalmente após períodos de recessão, quando o crédito voltou a aquecer e a demanda aumentou.
Mas existe outro lado dessa história.
Hoje, em muitos mercados brasileiros, o custo do financiamento imobiliário está elevado por causa das taxas de juros. Isso cria uma situação interessante.
Imagine uma pessoa com capacidade para gastar R$ 15 mil por mês.
Se ela decidir alugar, provavelmente encontrará um apartamento de altíssimo padrão, muitas vezes de frente para o mar, em uma localização privilegiada.
Por outro lado, se utilizar esses mesmos R$ 15 mil para pagar a parcela de um financiamento, dificilmente conseguirá adquirir um imóvel com o mesmo padrão. Além disso, será necessário investir um valor elevado como entrada, assumir custos de escritura, impostos, manutenção e comprometer boa parte do patrimônio.
Existe ainda um fator que muitas pessoas ignoram.
O dinheiro utilizado como entrada poderia permanecer investido em aplicações financeiras. Em cenários de juros elevados, esse capital pode gerar uma renda mensal significativa, ajudando inclusive a pagar parte do aluguel. Em algumas situações, manter o patrimônio investido e morar de aluguel faz mais sentido financeiro do que comprar imediatamente.
Isso não significa que comprar um imóvel seja um erro.
Muito pelo contrário.
Comprar continua sendo uma excelente estratégia quando o imóvel faz sentido para o objetivo da família, quando o financiamento cabe no orçamento e, principalmente, quando o mercado oferece boas oportunidades.
A grande lição é que não existe uma resposta única.
Existe o momento certo.
Os melhores investidores normalmente não compram porque todos estão comprando. Eles observam o mercado, analisam os juros, acompanham a oferta de imóveis, entendem o comportamento da economia e aguardam oportunidades.
No mercado imobiliário, paciência também é uma forma de investimento.
Saber esperar pode ser tão importante quanto saber comprar.